Vereadora é autora de livro que combate violência contra as mulheres

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Uma lei criada em Rondonópolis para reforçar o combate à violência contra a mulher ganhou projeção nacional ao ser citada no livro Matou uma, matou todas, do jornalista e escritor premiado Klester Cavalcanti. O tema foi debatido durante duas palestras realizadas na Câmara Municipal do município, reunindo estudantes, servidores públicos e representantes da sociedade para discutir o enfrentamento ao feminicídio no Brasil.

Durante o evento, destacou-se a Lei Beatriz Milano, de autoria da vereadora Kalynka Meirelles, que estabelece uma medida inédita no país a proibição da contratação, em cargos públicos da administração direta e indireta, autarquias e também por empresas terceirizadas que prestam serviços ao poder público, de pessoas condenadas pelo crime de feminicídio, previsto no artigo 121, §2º, inciso VI, do Código Penal Brasileiro.

Beatriz Milano foi assassinada, grávida de quatro meses, pelo noivo, com golpes na cabeça. O caso gerou ainda mais indignação porque, três anos após a condenação, o autor chegou a atuar como médico no serviço público de Rondonópolis, atendendo inclusive mulheres.

“Pensei na lei não apenas por justiça à Beatriz, mas para dar segurança a todas as mulheres e dizer às famílias das vítimas que não aceitamos um crime tão bárbaro”, destacou a vereadora.

Cenário preocupante

O debate ocorre em um momento de alerta no país. O Brasil registrou mais de 1,5 mil casos de feminicídio em um único ano, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado.

Em Mato Grosso, o cenário também preocupa. O estado lidera o ranking nacional, com a maior taxa de feminicídios do país: 2,5 assassinatos de mulheres a cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Somente em 2024, foram registrados 47 casos, além de outras mortes violentas relacionadas à violência de gênero.

Avanços em Rondonópolis

Apesar do cenário alarmante, Rondonópolis tem apresentado avanços no enfrentamento à violência contra a mulher, com uma redução de cerca de 33% nos casos de feminicídio.

Esse resultado é fruto de uma atuação conjunta entre:
• O Legislativo, por meio da Procuradoria da Mulher e da Família
• O Judiciário, com iniciativas como o programa Todos por Elas
• O Executivo municipal, por meio da Secretaria de Promoção e Assistência Social, liderada pela primeira-dama Alessandra Ferreira

Posicionamento

Para a vereadora Kalynka Meirelles, o enfrentamento ao feminicídio precisa ser tratado com seriedade:

“Não podemos tratar o feminicídio apenas como estatística. Cada número representa uma vida interrompida e uma família destruída. Precisamos fortalecer políticas públicas, ampliar o debate e proteger nossas mulheres.”

Sobre Klester Cavalcanti

Klester Cavalcanti é um jornalista e escritor brasileiro reconhecido pelo trabalho em jornalismo investigativo, especialmente em temas como violência, guerra e crimes reais.
• Natural de Recife (PE)
• Formado em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco
• Atuou em veículos como IstoÉ, Estadão e Veja
• Vencedor de três Prêmios Jabuti e reconhecimentos internacionais de direitos humanos

Um dos episódios mais marcantes de sua carreira ocorreu em 2012, quando foi preso e torturado na Síria durante a cobertura da guerra civil — experiência que resultou no livro Dias de Inferno na Síria.

Entre suas obras mais conhecidas estão:
• O Nome da Morte
• Viúvas da Terra
• A Dama da Liberdade
• Direto da Selva

Feminicídio em pauta

O lançamento do livro Matou uma, matou todas, resultado de cerca de seis anos de investigação, reúne relatos de vítimas, familiares e investigadores, evidenciando como a violência contra mulheres acontece no Brasil com destaque também para casos em Mato Grosso.

A presença de Klester Cavalcanti em Rondonópolis e a inclusão da Lei Beatriz Milano em sua obra ampliam a visibilidade de uma iniciativa que nasceu no município e hoje contribui para fortalecer o debate nacional sobre o combate ao feminicídio.

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