Novo ecossistema ‘Tudo de Energia’ quer preparar profissionais para economia da energia no Brasil

Projeto integra educação, tecnologia e empreendedorismo para atender demandas da Indústria 4.0

O avanço das energias renováveis, da digitalização das redes elétricas e do armazenamento em baterias está mudando a forma como a energia é produzida, distribuída e consumida no Brasil. Diante desse novo cenário, foi lançado oficialmente o ecossistema “Tudo de Energia”, uma iniciativa voltada à formação de profissionais e ao desenvolvimento de soluções para a chamada economia energética da Indústria 4.0.

O projeto foi apresentado no dia 3 de março durante um debate promovido pelo EnergyChannel, que reuniu executivos, especialistas e representantes do setor elétrico para discutir os desafios da transição energética no país.

A proposta do ecossistema é integrar educação, tecnologia, inovação e empreendedorismo para preparar empresas e profissionais brasileiros para um mercado energético cada vez mais digital, inteligente e conectado às demandas da chamada quarta revolução industrial.

Idealizado pelo especialista do setor elétrico Merivaldo Britto, o “Tudo de Energia” nasceu a partir de uma pesquisa acadêmica desenvolvida na Universidade Estadual do Ceará. O estudo identificou um problema estrutural no setor: embora as tecnologias energéticas avancem rapidamente, ainda há lacunas na formação de profissionais e na capacidade de inovação dentro das empresas.

“O setor evoluiu muito em tecnologia, mas ainda existe um vazio importante quando falamos em formação profissional e integração de conhecimento”, afirma.

Para enfrentar esse desafio, o ecossistema foi estruturado sobre três pilares principais.

O primeiro deles é o estímulo ao empreendedorismo e à inovação no setor energético. A ideia é ampliar a visão de empresas e executivos que, por muitos anos, concentraram seus negócios principalmente na venda de sistemas solares fotovoltaicos. Hoje, o mercado exige soluções mais completas que envolvem geração distribuída, armazenamento em baterias, mobilidade elétrica, eficiência energética e gestão inteligente do consumo.

O segundo pilar é a formação de consultores de energia, profissionais capazes de analisar o consumo energético de clientes e propor soluções integradas para residências, empresas, indústrias e propriedades rurais.

O terceiro eixo do projeto é a qualificação do chamado eletricista 4.0, técnico preparado para trabalhar com tecnologias como sistemas solares, baterias, redes inteligentes, mobilidade elétrica e monitoramento digital.

Além da estrutura educacional, o ecossistema também pretende atuar em áreas consideradas estratégicas para o futuro do setor, como armazenamento de energia, mobilidade elétrica, integração da energia solar à arquitetura (BIPV), segurança em sistemas energéticos e gestão inteligente do consumo.

Algumas das soluções defendidas pelo ecossistema já vêm sendo aplicadas em projetos reais. Um exemplo está em Aquiraz, no Ceará, em um projeto de cidade inteligente que integra geração solar e armazenamento de energia em baterias. O sistema conta com 69 kWp de geração fotovoltaica e 32,2 kWh de armazenamento, permitindo reduzir o consumo da rede nos horários de pico (peak shaving) e garantir até quatro horas de autonomia energética.

Além de aumentar a segurança energética, a solução melhora a qualidade da energia e reduz custos operacionais. O projeto integra uma iniciativa internacional voltada ao desenvolvimento de redes elétricas digitais orientadas pela demanda, ligada ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) em parceria com a Agência Internacional de Energia (IEA).

Durante o debate de lançamento, especialistas do setor discutiram temas centrais para a transição energética brasileira, como a expansão das energias renováveis, desafios regulatórios e a crescente demanda por profissionais qualificados.

Participaram do encontro Merivaldo Britto, fundador do ecossistema Tudo de Energia; Daniel Danna, secretário-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel); Zilda Costa, vice-presidente da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD); José Luís Fontes, diretor de ESG da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp); Marcelo Taborda, diretor comercial da RB Solar; Rodrigo Cardoso Gatti, country manager da SMA Solar Technology; David Sanfins, executivo da Astronergy; João Carlos, CEO da Ecosunny; Tiago Vianna, CEO da Enersim; e João Guimarães, consultor da Kraften Consultoria em Energia.

Para Merivaldo Brito, o avanço da infraestrutura energética dependerá não apenas de novas tecnologias, mas principalmente da preparação de pessoas capazes de liderar essa transformação.

“O objetivo do ecossistema é justamente formar essa nova geração de profissionais que deverá sustentar o crescimento da economia energética brasileira nos próximos anos”, finalizou.