O reaparecimento do câncer de mama: mitos e verdades que toda mulher precisa saber

Mesmo com avanços no diagnóstico e no tratamento, a recidiva do câncer de mama ainda gera dúvidas e desinformação, fatores que podem influenciar escolhas ao longo da jornada de cuidado. Para apoiar pacientes e ampliar o conhecimento sobre o tema, especialistas reforçam a importância de compreender como o risco de recidiva se comporta, quais sinais exigem atenção e por que o acompanhamento contínuo é decisivo. Mesmo após o tratamento inicial, o câncer de mama pode voltar, especialmente nos primeiros anos após o diagnóstico, período considerado crítico para o acompanhamento e tratamento adjuvante.

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, o risco de recidiva ainda faz parte da realidade de muitas pacientes. Estudos indicam que mulheres com câncer de mama inicial de alto risco apresentam entre 20% e 43% de chance de recorrência, enquanto pacientes de baixo risco têm probabilidade entre 5% e 7%. Para reduzir a desinformação sobre o tema, Gilberto Amorim, Oncologista Clínico da Oncologia D’Or do RJ (CRM 5256783-4 RJ) e o psicólogo e psico-oncologista Caio Vianna esclarecem alguns dos principais mitos e verdades sobre a recidiva do câncer de mama:

Após o tratamento inicial, o câncer de mama está definitivamente curado.

Mito: Mesmo após cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, o risco de recidiva pode persistir por anos. Isso ocorre porque células tumorais podem permanecer no organismo de forma silenciosa. Por isso, o acompanhamento contínuo e, em alguns casos como o câncer de mama luminal, o uso de terapias adjuvantes são ferramentas fundamentais para reduzir o risco de retorno da doença.

O risco de recidiva é diferente para cada paciente.

Verdade: O risco varia significativamente de acordo com fatores clínicos e biológicos, como tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos, subtipo molecular e resposta ao tratamento. Esses elementos orientam a definição de estratégias terapêuticas individualizadas.

“O entendimento sobre o risco de recidiva permite que a paciente participe ativamente das decisões ao longo da jornada de tratamento, o que impacta diretamente na qualidade do cuidado e nos desfechos clínicos”, afirma Amorim.

A recidiva pode acontecer mesmo muitos anos após o tratamento.

Verdade: O retorno do câncer de mama não ocorre apenas no curto prazo. Ele pode surgir meses ou até anos após o tratamento inicial, o que reforça a importância do acompanhamento de longo prazo e da vigilância contínua.

Se não houver sintomas, não há risco de recidiva.

Mito: A recidiva pode não apresentar sintomas em estágios iniciais e ser identificada em exames de rotina, o que reforça a importância do acompanhamento contínuo, mesmo na ausência de sinais aparentes da doença1.

Informação sobre o risco de recidiva ajuda na tomada de decisão.

Verdade: Compreender o risco individual permite que mulheres participem de forma mais ativa das decisões sobre seu tratamento e acompanhamento. O acesso à informação qualificada também contribui para reduzir incertezas e melhorar o diálogo com a equipe médica, favorecendo escolhas mais seguras e alinhadas às necessidades de cada paciente1.

“Falar abertamente sobre a possibilidade de recidiva é um passo importante para reduzir a ansiedade e fortalecer o protagonismo da paciente na jornada de cuidado. Quando bem-informadas, as mulheres estão mais preparadas para discutir opções terapêuticas e buscar acesso ao cuidado adequado”, ressalta Vianna.

O impacto emocional da recidiva é menor porque a paciente já passou pelo tratamento uma vez.
Mito: “A possibilidade de recidiva pode gerar ansiedade, medo e insegurança ao longo de toda a jornada, muitas vezes até mais intensos do que no diagnóstico inicial”, explica o psico-oncologista. O temor do retorno da doença pode afetar o bem-estar emocional mesmo após o término do tratamento, reforçando a importância de acompanhamento psicológico com profissional especializado em pacientes oncológicas e de uma abordagem multidisciplinar no cuidado1.