O deputado estadual Faissal Calil (PL) divulgou um vídeo nas redes sociais para rebater acusações contra ele durante a Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal que investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
No vídeo, o parlamentar afirma que sua inclusão no inquérito vem de interpretações equivocadas sobre sua atuação profissional como advogado e sustenta que sempre atuou dentro da legalidade na defesa de um cliente envolvido em uma disputa fundiária.
Faissal teve os sigilos bancários e telefônicos quebrados e foi alvo de mandado de busca e apreensão. Conforme as investigações, ele é suspeito de ter atuado como operador financeiro e articulador do desembargador afastado Dirceu dos Santos, apontado como um dos principais alvos da operação.
Na gravação, o deputado ressaltou sua trajetória na advocacia e afirmou possuir ampla experiência em direito agrário. “Sou advogado, tenho 25 anos de formação, sou especialista em direito agrário, tenho mais de 400 processos habilitados no Tribunal de Justiça e mais de 150 no Superior Tribunal de Justiça. Essa é a minha profissão”, disse.
Segundo Faissal, ele foi contratado em janeiro de 2023 pelo empresário Vilmar Janchine para atuar em uma ação de reintegração de posse envolvendo uma área de aproximadamente 6 mil hectares no município de Cláudia. O parlamentar afirmou que os honorários foram pagos regularmente e declarados por meio de nota fiscal.
O deputado também argumentou que, quando assumiu a causa, o processo era relatado pelo desembargador Luiz Carlos da Costa, antes mesmo de qualquer participação de Dirceu dos Santos.
“Meu cliente me procurou como advogado especialista em direito agrário, não como ex-assessor do desembargador Dirceu”, afirmou.
Durante o vídeo, Faissal detalhou o histórico da disputa judicial, alegando que a propriedade foi adquirida em 1980 pela empresa Industrial Madeireira e que invasões teriam ocorrido em diferentes momentos ao longo das últimas décadas.
“O processo teve mais de nove acórdãos e decisões colegiadas em composições diversas. Não houve no processo uma decisão monocrática”, declarou.
O parlamentar também afirmou que uma denúncia semelhante à que embasa a investigação da Polícia Federal já teria sido apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sendo posteriormente arquivada.
Faissal negou ainda qualquer relação entre as mensagens encontradas no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023 e peça central de diversas investigações envolvendo o Judiciário mato-grossense, e o processo que motivou sua contratação.
Segundo ele, os diálogos citados pela investigação tratariam de outro conflito fundiário, no qual as partes buscavam um acordo extrajudicial para evitar o ajuizamento de uma ação. “O que traz estranheza é vincular o meu nome a Rolex, fuzil, a algo que eu não fiz, justamente às vésperas de uma eleição”, afirmou.
Ao final da gravação, o deputado disse estar colaborando com as investigações e manifestou confiança no trabalho da Polícia Federal.
“Estou aqui muito tranquilo, colaborei com as investigações e confio no trabalho da Polícia Federal. Que esse episódio seja o mais breve possível esclarecido”, concluiu.