Empreendedorismo feminino cresce 27% em uma década e bate recorde histórico no Brasil

O Brasil vive um novo momento no protagonismo feminino no mundo dos negócios. Sheila Zanchet, empresária há mais de 20 anos conta sua trajetória e desafios no setor

O empreendedorismo feminino alcançou um novo marco no Brasil. Em dez anos, o número de mulheres donas de negócios cresceu 27%, passando de 8,2 milhões, em 2015, para 10,4 milhões em dezembro de 2025, o maior patamar já registrado na série histórica. Os dados fazem parte de um levantamento realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua), e revelam uma transformação no perfil das empreendedoras brasileiras. Para a empresária Sheila Cabral Zanchet, que atua há mais de duas décadas nos setores do agronegócio e do varejo de chocolates finos, o crescimento da presença feminina no empreendedorismo representa uma mudança importante na economia brasileira.
“Estamos vivendo um momento em que cada vez mais mulheres estão assumindo posições de liderança e entendendo que podem construir negócios sólidos, gerar empregos e transformar realidades. O empreendedorismo feminino não representa apenas uma oportunidade de independência financeira, mas também uma forma de criar impacto positivo na sociedade”, afirma.
Além de ocuparem mais espaço no mercado, as mulheres que empreendem também apresentam uma evolução significativa na formação profissional. Entre 2012 e 2025, houve um aumento de 18,6 pontos percentuais na participação de empreendedoras com Ensino Superior Incompleto ou mais, enquanto caiu em 17,3 pontos percentuais o número de mulheres donas de negócios com Ensino Fundamental Incompleto. Atualmente, a proporção de mulheres empreendedoras com Ensino Superior ou mais supera em 13 pontos percentuais a dos homens empreendedores.
Sheila construiu sua trajetória conciliando gestão empresarial e iniciativas de impacto social. Ela também é fundadora do Instituto SOW, organização sem fins lucrativos que desenvolve projetos voltados à educação, cultura, esporte e assistência a famílias em situação de vulnerabilidade.
Por meio do instituto, crianças e jovens já foram beneficiados por ações como o DiverSow Day, evento que promove inclusão, solidariedade e atividades recreativas para comunidades locais, além de campanhas de arrecadação, oficinas e parcerias com instituições sociais.
Segundo a empresária, o avanço do empreendedorismo feminino também amplia a capacidade de transformação das empresas lideradas por mulheres.
“Muitas empreendedoras carregam consigo um olhar mais amplo sobre o negócio e sobre o impacto que ele pode gerar. Quando uma mulher empreende, ela movimenta a economia, fortalece sua família, cria oportunidades e muitas vezes abre caminhos para outras mulheres também”, destaca.
O cenário aponta que o empreendedorismo feminino deve continuar ganhando espaço nos próximos anos, impulsionado por maior qualificação profissional, busca por autonomia financeira e o fortalecimento de redes de apoio e acesso a crédito para mulheres que desejam empreender.