Welington rebate denúncias de ex-prefeitos sobre porcentagem de emendas

Olhardireto/CBN Cuiabá

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O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) rebateu, durante entrevista à Rádio CBN Cuiabá nesta quinta-feira (10), as acusações feitas pelos ex-prefeitos Daniel do Lago de Porto Alegre do Norte e ex-prefeito de Juara, Priminho Riva, de que pessoas ligadas a Welington teriam cobrado percentual sobre emendas parlamentares. Em uma das denúncias, o fato ocorreu há cerca de 20 anos.

Wellington negou que a prática tenha ocorrido e questionou o fato de a suposta irregularidade não ter sido denunciada na época. Segundo ele, já foram adotadas medidas judiciais contra as acusações. “Se isso tivesse acontecido, o prefeito tinha que ter denunciado. Por que não denunciou naquele momento?”, questionou. Durante a entrevista, Wellington também fez críticas ao adversário. Otaviano Pivetta (Republicanos), que conta com o apoio do ex-prefeito de Porto Alegre do Norte. O candidato do PL afirmou que não possui condenações e classificou Pivetta como “ficha suja”.

“Eu estou há 36 anos e não respondo a nenhum processo e nunca fui condenado a nada. Enquanto o adversário Pivetta é ficha suja”, afirmou.

Wellington citou ainda processos relacionados à trajetória política de Pivetta e afirmou que o registro de candidatura do adversário foi homologado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) com restrições e permanece sob análise judicial.

O candidato também mencionou o caso conhecido como “Máfia das Sanguessugas”, relacionado à compra de ambulâncias, e disse que Pivetta teve contas reprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

“Assim ele perdeu a última eleição  lá em Lucas do Rio Verde, porque era ficha suja. E ficha suja não vai assumir mandato”, declarou.

Denúncias: 

Em um vídeo, Priminho Riva, afirmou que o gabinete do senador Wellington Fagundes exigia a devolução de 20% dos valor de emendas parlamentares quando exercia o mandato de deputado federal. Segundo ele, o dinheiro era depositado na conta de um assessor de Fagundes. Priminho disse que não apoia a candidatura de Wellington ao governo e classificou uma eventual vitória de Fagundes como uma “tragédia para Mato Grosso”.

“Não apoio de jeito nenhum o senador Wellington Fagundes. Não apoio porque, quando deputado federal, eu era prefeito e essa questão do deputado federal extorquir os municípios, prefeito, essas coisas estão erradas”, disparou Priminho Riva em entrevista ao Olhar Direto.

Segundo o ex-prefeito, a liberação de emendas para Juara estaria condicionada ao pagamento de parte do recurso. Ele afirmou ainda que a prática teria ocorrido também com outros prefeitos.

“O Wellington Fagundes não liberava uma emenda para um município, principalmente para o meu, se eu não pagasse para liberar. Também fazia com outros prefeitos”, declarou.

Priminho relatou que teria sido obrigado a aceitar a condição em uma situação envolvendo recursos do Fundo Emergencial, que seriam utilizados para a construção de pontes no município.

“Me obriguei que ele ficasse com a emenda que era direcionada por ele. Mas é difícil você pegar um recurso aonde você tem que devolver 20% e fazer as obras”, disse.

De acordo com o ex-prefeito, a suposta devolução dos recursos comprometia o orçamento destinado às obras. Ele afirmou que, após o desconto, precisava buscar ajuda de produtores rurais para conseguir materiais utilizados na construção das pontes.

“Você tira 20% do orçamento que já vem defasado há mais de ano e que demora para liberar o recurso. Aí, quando você vai construir, o recurso não dá, a prefeitura não tem dinheiro para bancar”, relatou.

Ao ser questionado sobre como se sentia diante da situação, Priminho foi direto: “Me senti extorquido como tantos outros prefeitos também foram extorquidos”.

Ele afirmou ainda que outros parlamentares cobrariam percentuais diferentes, mas atribuiu a Wellington uma suposta exigência de 20%.

“É um cúmulo um deputado pedir 20% do seu recurso. Tem deputado que pedia 30%, deputado de 50%, mas o Wellington era 20% e ainda pedia para depositar na conta de um assessor dele”, concluiu Priminho.

PROPINA NA CONSTRUÇÃO DE CAIS 

É a segunda denúncia de corrupção contra Wellington Fagundes em menos de um mês. O ex-prefeito de Porto Alegre o Norte e candidato a deputado estadual, Daniel do Lago (PSDB), expôs em agosto ao podcast Agência da Notícia que em 2019 pediu recursos para a contruir um cais. Wellington repassou parte do custo total da obra, orçada, à época, em R$ 2 milhões. Segundo ele, assessores do senadores exigiram a devolução de parte da emenda.

“Eu pedi um recurso para o Wellington Fagundes e ele me deu para construir uma parte, porque ainda faltou muito, e depois veio a equipe querendo propina”.