Incentivo a morte

67

João Edisom de Souza

“Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”.
Bertold Brecht 
Vivemos uma época no país que mais vale a ignorância que o saber científico. Em função disso, o Brasil não tem lidado nada bem com pandemia da covid-19. Nossos olhos estão bastante voltados para as autoridades que vem batendo cabeça e parece que até agora não entenderam a importância da vida das pessoas. A sensação é que a maioria está preocupada somente com suas reeleições ou com a demonstração do próprio poder.


O show de arrogância, brutalidade e insensibilidade total com a vida vem do presidente da República e seu negacionismo, de ministro do Supremo que coloca a letra fria da lei a frente da vida, até membros do Ministério Público, governadores e prefeitos. Cada um fala uma coisa e confundem a sociedade. Estão saciando seus desejos de poder à custa da vida dos brasileiros.

O comportamento da sociedade é muito ruim diante das necessidades momentâneas de isolamento e cuidados de biossegurança e sanitários, mas temos que reconhecer que a razão desta rebeldia e desinformação é fruto dos discursos e do comportamento das autoridades que deveriam ser competentes e responsáveis.

Só lembrando que isso não é novo. Por dificuldade de administração dos problemas econômicos e políticos alguns países na Europa, durante os séculos XVII, XVIII e XIX, incentivavam seus cidadãos a deixar o país usando artimanhas com promessas falsas de um novo eldorado, ameaças ou mesmo incentivando conflitos para se beneficiar da morte como forma de diminuir sua população. O Brasil neste momento repete o comportamento genocida.

Aqui prefeitos modificam o que os governadores fazem só por desejo político. O presidente não se entende com a ciência, faz live e passeios públicos só para incentivar a aglomeração, militantes de todos os lados políticos fazem memes e posts provocativos só para desinformar a população e aumentar o sentimento de ódio de uns contra os outros. Até porque não há nada que determine mais o que somos do que as coisas que optamos por ignorar. Logo também não somos totalmente inicentes.
 
Enquanto isso a população se aglomera e espalha o vírus. Depois abarrotam as UTIs dos hospitais e fazem filam para enterrar os seus. A população assiste a tudo pacificamente, já achando isso bem normal, acreditando que nos demais países é a mesma coisa. Na verdade estamos apenas incentivando a morte. Como afirmou Platão, “a parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos”.

João Edisom de Souza é cientista político em Cuiabá

Deixe uma resposta