Outubro: é preciso falar sobre

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O site da Agência Patrícia Galvão divulgou importante pesquisa realizada pelo The Lancet sobre a saúde das mulheres. Concluiu-se que a abordagem feminista pela saúde das mulheres, teria o condão de salvar vidas.

Em 1981, a ONG Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde foi criada para desenvolver trabalho especial na saúde e na vida das mulheres. Com abordagem nas relações de gênero e enfrentamento ao machismo, a entidade prima pelo atendimento e tratamento para que as mulheres sejam preparadas para conhecer o respectivo corpo, ganhando autonomia nos cuidados com a saúde.

O relatório do The Lancet apontou que uma “abordagem feminista” poderia salvar a vida de muitas mulheres. Falar sobre a desigualdade no atendimento, principalmente delas, é evitar mortes prematuras. Houve a análise de mortes de mulheres de 30 a 69 anos, concluindo que 800 mil vidas poderiam ter preservadas ano a ano, com um bom atendimento. A discriminação e a desigualdade têm se constituído em obstáculos de diagnósticos. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) apresentou que o câncer de mama é o mais frequente, sendo esperado aproximadamente 74 mil casos novos até o ano de 2025.

Especialistas alertam sobre a necessidade da investigação minuciosa, quando as mulheres procuram por atendimento. É preciso desconfiar de todas as queixas delas, as encaminhando para especialistas, para que se consiga tratar a enfermidade no início. É sabido que a medicina, nos tempos atuais, se encontra bastante atualizada.

Logo, tem se conseguido manter com procedimentos e medicamentos a vida das pessoas, descobrindo-se a doença no início. Ao se pensar nos recortes de raça, cor e orientação sexual, os agravantes se tornam maiores.

A desinformação tem sido empecilho real. A recomendação médica para a mamografia é desde os 40 anos para todas as mulheres. Entretanto, o Ministério da Saúde orienta a fazer citado exame apenas entre 50 e 60 anos. Conforme informação da Sociedade Brasileira de Mastologia, 25% das mulheres que apresentam câncer de mama são entre 40 e 50 anos, justificando a recomendação dos profissionais da medicina. Assim, o acesso à mamografia é a prevenção a ser ofertada às mulheres. O que se tem visto são pacientes do sistema de saúde privado terem sobrevida maior que as pacientes do SUS, quanto à doença.

Outra pesquisa realizada pelo Datafolha intitulada “O Que as Mulheres Brasileiras Sabem Sobre o Câncer de Mama e o que Podemos Absorver em Prol da Equidade na Saúde?”, divulgada em setembro do corrente ano, apontou que duas a cada três brasileiras só fazem o autoexame quando estimuladas por médicas ou médicos, ou através de campanhas de conscientização. Mostrou-se que 6% das entrevistadas relataram dificuldade de acesso ao exame: não conseguir marcar pelo SUS, demora para conseguir pelo SUS, e preço elevado. Há necessidade de se preparar com capacitações e treinamentos os profissionais. Agentes comunitários tem feito divulgações e ajudando a salvar vidas.

A divulgação precisa é que mulheres a possuir histórico da doença na família, precisam de maior atenção. Também é premente reafirmar que as curas tem sido frequentes, não sendo um diagnóstico fechado de impossibilidade de continuar a vida normalmente.

Mulheres: busquem por sua saúde!

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual e mestra em Sociologia pela UFMT.

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