SESPMT revela crescimento de estupros com 1.870 casos entre janeiro e outubro de 2023

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Novos dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SESP) revelam um aumento preocupante de 16% nos casos de estupro em Mato Grosso. Entre janeiro e outubro de 2023, foram registrados 1.870 casos, marcando um aumento de 258 casos em comparação com o mesmo período em 2022, quando o estado registrou 1.612 casos dessa natureza.

Rondonópolis, situado a 218 km de Cuiabá, destaca-se como o município com o maior incremento na taxa, apresentando 85 casos de estupro em 2022 e 91 casos até outubro deste ano, correspondendo a um aumento de 7%.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por meio do Atlas da Violência, alerta que apenas 10% dos casos de estupro são oficialmente reportados. O medo muitas vezes impede as vítimas de procurarem delegacias ou Unidades de Pronto Atendimento (UPA), contribuindo para o subregistro desse crime.

Esta escalada de casos ocorre em meio a um contexto de violência sexual agravado, exemplificado pelo recente caso chocante da chacina em Sorriso. Neste incidente, a mãe e filhas foram estupradas, encontradas nuas, com as roupas íntimas em posse do assassino. O criminoso, que já tinha passagem por estupro e homicídio, se sentiu totalmente confiante, não tentando fugir ou esconder-se, demonstrando uma assustadora certeza de impunidade.

A constatação de sinais de luta na casa e o detalhe do chinelo foram cruciais para a identificação. Esse mesmo indivíduo já havia atacado mulheres em outros locais ao longo deste ano, revelando um histórico de violência que amplifica a urgência de medidas eficazes para combater a violência sexual no estado. A sociedade e as autoridades devem unir esforços para romper com esse ciclo de impunidade, proporcionando segurança e justiça às vítimas.

Esse cenário alarmante de aumento nos casos de estupro em Mato Grosso exige uma reflexão profunda sobre a cultura do estupro e a necessidade urgente de levantar conscientização sobre a violência sexual. A cultura do estupro é caracterizada pela normalização de comportamentos que perpetuam a agressão sexual, seja através de piadas, atitudes machistas ou do silenciamento das vítimas. O crescimento desses números reflete não apenas a ocorrência de mais crimes, mas também um sistema que muitas vezes falha em acolher e proteger as vítimas.

O recente decreto de luto de três dias em Sorriso, em resposta à tragédia, reflete o profundo impacto que esses eventos têm não apenas nas vítimas diretas, mas em toda a comunidade. É um chamado à ação para enfrentar esse problema de frente, implementando políticas mais rigorosas, apoiando as vítimas e criando uma cultura que repudie veementemente a violência sexual em todas as suas formas.

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