O Sindicato Rural de Poconé vem a público pedir a devida investigação policial do incêndio registrado na base operacional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O fato foi registrado na segunda-feira (07.09), precisou da intervenção do Corpo de Bombeiros e teve grande repercussão na imprensa regional.
Segundo informações divulgadas pelos veículos de imprensa, uma equipe do Corpo de Bombeiros identificou uma área com queima de madeira próxima à estrutura do ICMBio e conduziu um servidor à Delegacia de Polícia Civil. Posteriormente, o ICMBio informou que não houve detenção e esclareceu que a atividade tinha caráter preventivo, com queima controlada de resíduos vegetais provenientes da limpeza da área.
Diante das versões apresentadas, entendemos ser necessário esclarecer a natureza da atividade, eventual autorização, local exato, procedimentos adotados e os critérios técnicos e legais utilizados, inclusive quanto à existência ou não de incêndio florestal.
O Sindicato Rural de Poconé não antecipa qualquer juízo sobre responsabilidades. Defende, sim, que os fatos sejam apurados com imparcialidade, transparência e observância da legislação.
O episódio, entretanto, reforça uma questão que há anos preocupa o setor produtivo: o produtor rural pantaneiro não pode ser previamente colocado na condição de vilão ou criminoso diante dos incêndios no Pantanal. Pecuaristas que vivem no território, enfrentam anualmente períodos de extrema seca e, muitas vezes, são os primeiros a combater o fogo devem ser reconhecidos como parte da solução.
O setor produtivo não defende o uso irregular do fogo. Defende segurança jurídica, critérios técnicos objetivos, orientação adequada e igualdade de tratamento perante a lei.
Se ao produtor rural são exigidos autorizações, procedimentos, equipamentos, aceiros, registros e observância das regras para utilização do fogo, é legítimo questionar se os mesmos critérios e exigências são aplicáveis às atividades de prevenção e manejo do fogo realizadas pelos próprios órgãos ambientais dentro ou no entorno das unidades de conservação.
Defendemos, ainda, que as políticas de prevenção e combate aos incêndios sejam construídas com a participação efetiva de produtores rurais, sindicatos, comunidades locais, municípios, Corpo de Bombeiros, órgãos ambientais e instituições de pesquisa. O conhecimento de quem vive no Pantanal precisa ser considerado na formulação das políticas públicas.
O episódio também reforça a necessidade de debate sobre a recente criação e ampliação de unidades de conservação no Pantanal, incluindo as medidas relacionadas ao Parque Nacional do Pantanal e à Estação Ecológica de Taiamã pelo ICMBio. Reconhecemos a importância da conservação ambiental, mas a ampliação de áreas protegidas precisa vir acompanhada de estrutura, gestão, fiscalização e capacidade efetiva do Estado para protegê-las, evitando que custos e conflitos decorrentes da falta de planejamento sejam transferidos aos produtores e municípios.
Proteger o Pantanal significa também proteger e respeitar aqueles que vivem, trabalham e produzem no território, valorizando o conhecimento local e promovendo políticas baseadas em ciência, diálogo, responsabilidade e segurança jurídica.
O Pantanal precisa de mais prevenção, mais estrutura e mais integração entre os órgãos — e menos generalizações.
As regras devem ser claras.
A fiscalização deve ser imparcial.
E a responsabilidade deve ser de todos.
Sindicato Rural de Poconé
Poconé/MT, 10 de setembro de 2026.